Publicidade
Economia

O impacto do El Niño na agricultura da América Latina

61% são as chances de que o fenômeno aconteça no trimestre de maio a julho deste ano

O impacto do El Niño na agricultura da América Latina

No segundo semestre de 2026, caso se concretize um fenômeno El Niño com uma forte intensidade, a América Latina corre sérios riscos de sofrer impactos desiguais. Um menor crescimento econômico e a inflação são pontos de atenção por conta do impacto no setor de energia e na agricultura.

Publicidade

O que antes era de 50%, agora aumentou para 61% as chances de que o fenômeno El Niño aconteça no trimestre de maio a julho deste ano, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, dos Estados Unidos. As informações são da Bloomberg Línea.

Agricultura

Através de informações enviadas à Bloomberg Línea, A OMM (Organização Meteorológica Mundial), afirma que a alteração dos calendários agrícolas é um dos efeitos mais evidentes em relação a agricultura. Redução da umidade do solo, causas de alagamentos, aumento de estresse térmico em relação ao gado e culturas e a alteração do início das semeaduras são possíveis efeitos do fenômeno.

Na América Central, o feijão e o milho costumam ser as culturas mais vulneráveis, assim como a soja em algumas regiões da América do Sul. No geral, a pecuária, pastagens, a cana-de-açúcar, o arroz, o cacau e o café também são outros exemplos que podem ser afetados, a depender do tipo de ameaça e a sua sub-região.

A estimativa é de que os danos do setor agrícola da América Latina sejam 82% ocasionados por conta das secas e 26% por conta dos desastres climáticos. “O mais delicado é que o impacto não se limita ao rendimento agrícola”, destaca Bárbara Tapia Cortés, meteorologista e coordenadora técnica de serviços da OMM.

Impacto na América Latina

Ainda de acordo com as informações, a OMM afirma que não é possível confirmar que a situação atual poderá ser evoluída a ponto e um evento mais forte do El Niño. Caso ocorra ainda este ano, com uma intensidade parecida com a de 2016, o efeito mais provável para a América Latina é uma desaceleração em seu crescimento econômico.

“Nos países da região andina, o PIB poderia sofrer uma redução entre 0,6 e 1,7 pontos percentuais, conforme estimado em estudos anteriores”, de acordo com Brigitte Castañeda, professora do Departamento de Engenharia Industrial da Universidade dos Andes, na Colômbia, e pesquisadora na área de energia e riscos climáticos.

Em regiões como a costa do Equador e Peru, sul do Uruguai, Brasil e Paraguai e no nordeste da Argentina, o fenômeno acaba trazendo uma grande quantidade de chuvas, ocasionando em chances maiores de deslizamentos de terra e inundações.

“O Brasil surge como um dos países mais vulneráveis, devido à sua extensão e peso agrícola, com maior risco de seca, calor e irregularidade das chuvas no norte e em parte do nordeste, enquanto o sul estaria mais exposto a precipitações acima do normal, inundações, excesso de umidade e problemas logísticos”, diz a analista de inteligência e estratégia da consultoria agrícola Biond Agro, Yedda Monteiro.

Siga O Brasilianista nas redes sociais e fique por dentro de todas as notícias em tempo real