Publicidade
Geopolítica

Quatro décadas após o desastre de Chernobyl, voltam as preocupações sobre novos acidentes com usinas nucleares

Com guerras acontecendo na Ucrânia e Irã, surgem dúvidas em relação ao risco de mais uma tragédia radioativa

Quatro décadas após o desastre de Chernobyl, voltam as preocupações sobre novos acidentes com usinas nucleares

Este domingo (26) marca quatro décadas do desastre de Chernobyl, a maior tragédia radioativa da história. A explosão de um reator causou a evacuação de uma cidade inteira, além de altos níveis de radiação até hoje no local.

Publicidade

Com o cenário de guerra na Ucrânia e Irã, locais que concentram usinas nucleares, fica o questionamento sobre a possibilidade de um outro acidente radioativo acontecer. Não apenas pelos riscos de bombardeios às estruturas, mas a preocupação surge também devido aos constantes apagões em áreas com usinas e como as instalações estão preparadas para lidar com esse tipo de acontecimento.

Segundo o g1, a usina nuclear de Zaporizhzhia — considerada a maior da Europa —, por exemplo, tem passado o mês de abril com constantes quedas de energia.

“Nesta manhã, a central nuclear de Zaporizhzhia ficou completamente sem energia externa pela décima terceira vez desde o início do conflito armado, após a última linha de transmissão ter sido desconectada”, afirmou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em um comunicado no dia 14 de abril.

A agência revelou que os geradores a diesel de emergência da central foram imediatamente ativados para fornecer a energia necessária para o funcionamento essencial das funções de segurança. Ainda assim, se mantém as preocupações em relação a um possível bombardeiro da usina — que além do impacto ambiental, causaria impacto econômico e de demanda energética para boa parte da Europa.

Chernobyl pode se repetir?

A possibilidade de ocorrer outro desastre como o de Chernobyl é muito baixa, especialmente considerando que as estruturas e situações são muito diferentes ao cenário de 26 de abril de 1986.

Isso porque o acidente em Chernobyl decorreu de uma série de fatores e decisões erradas sobre o armazenamento do material, estrutura da usina e testes sem protocolo. Ainda assim, não elimina o risco de acidentes graves em cenários extremos, como guerras.

No entanto, a principal diferença está nos reatores de cada usina. Os quatro reatores instalados na Usina Nuclear de Chernobyl V. I. Lênin, na antiga União Soviética, eram do modelo RBMK. Por sua vez, os seis reatores de Zaporizhzhia são do modelo VVER, assim como os instalados no Irã.

Ambos foram construídos a partir de projetos dos anos 1960 e 1970 do centro de pesquisas nucleares soviético, o Instituto Kurchatov. O princípio é o mesmo: permitir que a fissão nuclear controlada de urânio seja transformada em energia elétrica a partir da energia térmica gerada pelo processo com o urânio.

Porém, cada modelo possui ferramentas e sistemas diferentes de segurança e controle do material manipulado. Veja as diferenças:

  • RBMK (Chernobyl): reator moderado a grafite e refrigerado a água. O uso do grafite com o vapor de água gerado causava maiores níveis de reatividade, ou seja, podia causar mais instabilidade, além da falta de uma estrutura de contenção robusta;
  • VVER (Zaporizhzhia e Irã): reator de água pressurizada. Modelo em que a água é utilizada para refrigeração e moderação das reações nucleares, o que diminui significativamente a instabilidade e aumenta o poder de contenção.

Além disso, as usinas devem ser construídas com paredes reforçadas para conter possíveis vazamentos ou explosões. No caso de Chernobyl, a União Soviética optou por não montar esse reforço, o que intensificou a projeção radioativa — e causou a explosão do teto da usina.

Nos reatores modernos, a estrutura de contenção é mais robusta e, mesmo se acontecer uma explosão, os efeitos serão mais contidos. Isso impede que um desastre como o de 1986 se repita em vários níveis.

Isso porque, conforme especialistas ouvidos pelo g1, Chernobyl contou com duas explosões — de vapor e de hidrogênio — além de um incêndio causado pelo grafite que durou dias.

Ainda assim, um possível bombardeio ou mesmo a instabilidade operacional prolongada devido aos apagões da guerra podem gerar efeitos negativos nos reatores, mas que não poderiam reproduzir ou gerar efeitos maiores aos de Chernobyl.

Os riscos de Chernobyl

Segundo informou O Brasilianista, a radiação atingiu regiões da Europa e até áreas mais distantes, como Estados Unidos e Canadá.

Além das mortes imediatas, houve aumento expressivo de casos de câncer ao longo das décadas seguintes. O número de vítimas, no entanto, é incerto.

Em entrevista ao O Brasilianista, o médico Estêvão de Carvalho Aguiar, especialista em Medicina de Família e Comunidade e atuante no Hospital Estadual de Urgências de Goiás (HUGOL), explicou que os efeitos da radiação conseguem danificar estruturas importantes das células, especialmente o DNA, podendo acarretar em desenvolvimento de doenças ao longo do tempo. Tudo vai depender da intensidade e o tempo de contato.

Chernobyl segue inabitável, mesmo 40 anos depois do acidente. Isso porque houve liberação contínua de material radioativo no solo, com grande volume de substâncias de longa duração.

Acompanhe O Brasilianista pelas redes sociais