O agronegócio registrou nota 7,1 em imagem e reputação no Brasil e 6,6 no exterior, segundo a pesquisa Marca Brasil, divulgada pela CNN Brasil com dados da consultoria OnStrategy.
O levantamento ouviu 192,4 mil brasileiros e 278,2 mil estrangeiros entre outubro de 2025 e março de 2026 e apontou o agro como um dos principais pilares da percepção internacional do país, atrás apenas do turismo.
Reconhecimento internacional cresceu nos últimos anos
O agronegócio alcançou nota 8,5 em notoriedade no mercado interno e 7,1 fora do país, em uma escala de 0 a 10.
O estudo coloca o setor à frente de áreas como indústria, energia e tecnologia nos indicadores de reputação internacional.
A pesquisa também apontou avaliações de 7,5 para qualidade de produtos e serviços no Brasil e 6,8 no exterior.
O desempenho do setor está ligado ao crescimento econômico da cadeia agropecuária nas últimas décadas.
Considerando produção agrícola, insumos, agroindústria, logística e comércio, o segmento responde por cerca de 20% a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A produção de grãos saiu de 38 milhões de toneladas em 1975 para uma projeção superior a 354 milhões em 2026.
As exportações do agronegócio somaram US$ 169,10 bilhões em 2025. O levantamento também destaca que o rebanho bovino brasileiro chegou a 238 milhões de cabeças, consolidando o país como detentor do maior rebanho comercial do mundo.
Setor teve impacto no emprego e na produtividade
Como divulgado pelo O Brasilianista, a agropecuária ajudou a manter saldo positivo da produtividade do trabalho no Brasil em 2025, em um momento de desaceleração em outros segmentos da economia.
Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostraram crescimento de 0,4% na produtividade do trabalho no ano passado, resultado sustentado principalmente pelo avanço do agro.
O setor agropecuário também foi o único que não registrou desaceleração relevante na criação de empregos formais nos primeiros meses de 2026.
O levantamento apontou que o saldo de vagas formais em fevereiro ficou abaixo das expectativas do mercado, mas a agropecuária seguiu contribuindo para o resultado positivo do emprego nacional.
A agropecuária brasileira cresceu 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O desempenho ajudou o PIB brasileiro a avançar 2,3% no período, representando cerca de um terço da expansão econômica registrada no país.
Exportações ampliaram participação do setor
Como informado pelo O Brasilianista, o número de empresas agropecuárias exportadoras cresceu 60,8% em dez anos.
Em 2015, havia 1.440 companhias do setor atuando no comércio exterior. Em 2025, esse número chegou a 2.316 empresas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
As exportações agropecuárias cresceram aproximadamente 121% no período analisado, passando de US$ 35 bilhões para US$ 77,4 bilhões. A participação do agro no total exportado pelo país também aumentou, saindo de 19,7% para 23,9%.
O crescimento foi puxado principalmente pelas empresas de menor porte. O número de microempresas e microempreendedores individuais agroexportadores saltou de 153 para 443 em dez anos, alta de 189,5%. As pequenas empresas passaram de 191 para 434 no mesmo período.
Expansão convive com pressão financeira no campo
Como O Brasilianista já mostrou, o agronegócio brasileiro enfrenta atualmente uma combinação de juros elevados, custos maiores de produção e instabilidade climática.
Especialistas ouvidos pela publicação apontaram que o problema atual não está relacionado à capacidade produtiva do setor, mas à redução das margens financeiras dos produtores.
O especialista em comércio exterior Ronaldo Félix afirmou que o aumento dos preços de fertilizantes, combustíveis e taxas de juros reduziu a rentabilidade no campo.
Ele também destacou que eventos climáticos extremos dificultaram o planejamento da atividade rural e ampliaram os riscos financeiros das propriedades.
O estrategista do agronegócio Luiz Burei afirmou que muitos produtores ampliaram a produção nos últimos anos, mas passaram a enfrentar dificuldades para manter margem financeira sustentável.
O especialista apontou crescimento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial no setor em diferentes regiões do país.
Imagem positiva ainda enfrenta desafios externos
Apesar do avanço econômico e da expansão internacional, o agronegócio brasileiro ainda enfrenta resistência ligada a temas ambientais e sociais.
O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Ingo Plöger, afirmou que parte da percepção negativa do setor está relacionada a debates sobre desmatamento, uso de recursos naturais, agrotóxicos e direitos humanos.
A diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, afirmou que as exportações agropecuárias brasileiras cresceram 810% entre 2001 e 2025, acima do avanço registrado por União Europeia e Estados Unidos no mesmo período.
Mori avaliou que o Brasil consolidou uma imagem de fornecedor confiável durante períodos de instabilidade global, incluindo a pandemia de Covid-19.
A executiva também apontou que apenas cerca de 30 mil empresas exportam atualmente no país, dentro de um universo de aproximadamente 25 milhões de CNPJs ativos.

