Durante a reunião do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com Xi Jinping, presidente da China, nesta quinta-feira (14), o líder chinês afirmou para o presidente norte-americano que ambos os países devem ser parceiros, de uma forma em se beneficiem.
“Uma relação estável entre a China e os EUA é uma dádiva para o mundo. A cooperação beneficia ambos os lados, enquanto o confronto prejudica ambos. Devemos ser parceiros e não rivais”, disse Xi em seu discurso de abertura.
É esperado que os líderes falem sobre a guerra durante os dois dias. Além disso, possíveis áreas de investimento e comércio devem ser pautadas na reunião. A expectativa de Trump é que essas discussões sirvam para convencer seus eleitores antes de uma difícil eleição de meio de mandato.
Após as conversas, ambos foram recebidos com salva de palmas pelos militares chineses e, durante os hinos nacionais, uma salva de 21 tiros foi realizada. Como cumprimento, Trump optou apenas por um pequeno sorriso e um toque no braço estendido de Xi, contrariando o aperto de mão firme, demonstração comum do mesmo com outros líderes mundiais. O “grande abraço” que o presidente norte-americano disse anteriormente também não aconteceu
O presidente norte-americano elogiou a relação entre os dois países, classificando como “fantástica” e reforçou que sempre que houve algum problema, foi resolvido de forma rápida. As informações são do The Telegraph.
Primeira reunião presencial desde 2017 marcou retomada do diálogo
O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping marcou a primeira visita oficial do presidente americano à China desde 2017, quando o republicano foi recebido em Pequim com cerimônia de Estado durante seu primeiro mandato.
Desde então, a relação entre as duas maiores economias do mundo passou por uma escalada de tensões envolvendo tarifas comerciais, disputas tecnológicas, Taiwan e conflitos internacionais.
Antes da reunião, Trump afirmou que buscava avanços pragmáticos na relação comercial com Pequim e defendia maior equilíbrio econômico entre os países.
O presidente americano também reforçou publicamente a necessidade de ampliar exportações americanas para o mercado chinês.
Já Xi Jinping adotou um discurso voltado à estabilidade diplomática e à redução das tensões internacionais.
O governo chinês afirmou antes do encontro que buscava evitar agravamento dos conflitos estratégicos entre as potências.
Após a reunião, o advogado e especialista em relações internacionais Alex Terras afirmou ao O Brasilianista que a rivalidade atual entre Washington e Pequim possui diferenças importantes em relação à Guerra Fria do século passado.
“Embora o termo seja comunicativo, ele simplifica excessivamente uma relação que é, ao mesmo tempo, de rivalidade estratégica e simbiose comercial”, explica.
Guerra comercial e economia dominaram as negociações
A pauta econômica ocupou o centro das discussões entre Trump e Xi Jinping em meio à desaceleração do comércio bilateral e às restrições tarifárias impostas pelos dois governos nos últimos anos.
Nos primeiros meses de 2026, investimentos e exportações sofreram impacto direto após novas barreiras comerciais adotadas por Washington e respondidas por Pequim.
Segundo Rodolfo Laterza, mestre em Segurança Pública e especialista em geopolítica ouvido pelo O Brasilianista, Trump chegou pressionado por empresários americanos afetados pela queda nas exportações e pelo aumento dos custos industriais.
“Nos primeiros quatro meses de 2026, o comércio caiu mais de 10%. A atividade de investimento também foi seriamente afetada”, afirma.
Entre os setores mais atingidos estão tecnologia, agronegócio, energia e indústria aeronáutica. Durante o encontro, os americanos tentaram ampliar compras chinesas de produtos agrícolas, aeronaves e energia produzidos nos Estados Unidos.
Já a China buscou reduzir restrições comerciais e evitar novas limitações econômicas em áreas consideradas estratégicas para o crescimento tecnológico do país.
“O principal trunfo de Pequim nessas negociações é econômico. A China é a maior economia de reexportação do mundo”, destaca Laterza.
Taiwan permaneceu como principal foco de tensão
Taiwan continuou sendo um dos temas mais delicados discutidos entre os dois líderes durante a reunião bilateral.
Antes do encontro, analistas internacionais já apontavam preocupação de aliados americanos na Ásia sobre possíveis pressões chinesas envolvendo a posição dos Estados Unidos em relação à ilha.
O governo chinês considera Taiwan parte de seu território e defende reconhecimento internacional dessa posição. Os americanos, por outro lado, mantêm apoio político e militar indireto à ilha.
Após a reunião, Alex Terras afirmou que temas ligados à soberania nacional limitam avanços diplomáticos mais profundos entre Washington e Pequim.
“Quando as discussões atingem temas como a autonomia de Taiwan, o controle sobre dados de inteligência artificial ou a liderança em infraestrutura crítica, há pouco espaço para o compromisso diplomático tradicional”, avalia.
A tensão em torno de Taiwan aumentou nos últimos anos diante do fortalecimento militar chinês e da presença crescente dos Estados Unidos na região do Indo-Pacífico.
Terras também afirmou que, apesar do fortalecimento militar dos dois lados, a lógica econômica ainda funciona como fator de contenção para um confronto direto.
“O custo de uma guerra seria a interrupção imediata das cadeias de suprimentos globais, o que resultaria em um colapso econômico que nenhum dos Estados está disposto a arcar”, afirma.
Guerras internacionais ampliaram pressão diplomática
Os conflitos envolvendo Irã, Israel e Ucrânia também fizeram parte das discussões entre Trump e Xi Jinping.
Antes da reunião, Trump já havia sinalizado preocupação com o impacto das guerras internacionais na economia global e na estabilidade política internacional.
A China mantém relações estratégicas com o Irã e depende significativamente do petróleo vindo do Oriente Médio. Os Estados Unidos, por sua vez, ampliaram apoio militar a aliados da região após a escalada do conflito.
Segundo Rodolfo Laterza, os temas geopolíticos ganharam peso relevante durante as negociações entre os líderes.
“Possivelmente o encontro tende a abordar a guerra na Ucrânia e a guerra contra o Irã”, afirma.
Na questão ucraniana, Pequim voltou a defender negociações diplomáticas e manteve posição distante das sanções lideradas pelos Estados Unidos e países europeus contra Moscou.
Laterza também avalia que a China dificilmente aceitaria atuar diretamente contra o Irã devido aos vínculos econômicos e estratégicos existentes entre os dois países.
“Os chineses mantêm o vínculo comercial e estratégico com o Irã e condenam a operação militar deflagrada pela coligação EUA-Israel”, destaca.

