A nova reunião entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, marcada para a próxima terça-feira (19), em Pequim, volta a chamar atenção para a relação de Putin com outras lideranças internacionais, entre elas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, com quem falou pela última vez em janeiro deste ano.
O encontro entre Putin e Xi ocorre em um momento de negociações econômicas e políticas envolvendo energia, comércio internacional e os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Conforme já informado pelo O Brasilianista, a visita também coincide com os 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa firmado entre os dois países.
A aproximação entre Rússia e China tem sido acompanhada de perto por outras lideranças internacionais, incluindo o governo brasileiro. A última conversa oficial entre Lula e Putin aconteceu em 14 de janeiro de 2026, em uma ligação telefônica de aproximadamente 45 minutos, realizada poucos dias após o aumento da tensão envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos.
Na ocasião, os presidentes discutiram formas de reduzir o clima de instabilidade na região sul-americana. O Brasilianista já informou que os dois defenderam a soberania venezuelana e afirmaram que os interesses da população deveriam ser preservados diante do cenário de crise.
Relação entre Lula e Putin ganhou novos capítulos
A conversa entre Lula e Putin marcou a primeira ligação internacional oficial do presidente russo em 2026. O contato também abordou a possibilidade de atuação conjunta em organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas e o Brics.
O governo brasileiro confirmou o telefonema e informou que os dois líderes defenderam a manutenção da América do Sul e do Caribe como regiões de paz. Além da questão venezuelana, Lula e Putin discutiram a preparação para a 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Russo-Brasileira, prevista para fevereiro deste ano.
Nos últimos anos, o presidente brasileiro manteve diálogo frequente com Putin em meio às mudanças no cenário internacional. A relação entre Brasil e Rússia ganhou espaço principalmente dentro do Brics, bloco que reúne ainda China, Índia e África do Sul, além dos novos integrantes anunciados recentemente.
A proximidade diplomática entre os dois países também aparece em pautas ligadas à economia, energia e cooperação internacional. Em diferentes ocasiões, Lula defendeu a ampliação das relações comerciais do Brasil com parceiros fora do eixo tradicional dos Estados Unidos e da União Europeia.
Putin busca ampliar alianças em meio a disputas globais
A viagem de Putin à China acontece em um contexto de tentativa de fortalecimento das alianças russas diante das sanções impostas por países ocidentais desde o início da guerra na Ucrânia. Entre os principais temas previstos para a reunião com Xi Jinping está a negociação de um novo gasoduto entre os dois países.
O projeto pretende ligar áreas de extração de gás na Sibéria ao território chinês por meio da Mongólia. As negociações se arrastam há anos e fazem parte da estratégia russa de ampliar a venda de energia para o mercado asiático.
Além do setor energético, Rússia e China também devem discutir ajustes comerciais e medidas para ampliar a circulação de produtos entre os dois países. Atualmente, os chineses compram mais de um quarto das exportações russas, enquanto Moscou representa uma fatia menor do comércio exterior da China.
A agenda de Putin em Pequim inclui ainda reuniões econômicas com integrantes do governo chinês e cerimônias voltadas à cooperação educacional entre os dois países. Os líderes também devem assinar novos acordos bilaterais ao fim da visita oficial.

