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Justiça

Vorcaro é transferido para cela comum da PF em Brasília

Preso preventivamente há dois meses, o ex-dono do Master estava em uma sala especial em meio à estratégia de delação premiada

Caso Master: PF recusa delação de Vorcaro

Há quase dois meses preso preventivamente, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mudou de cela no início da noite desta segunda-feira (18). As informações são do Metrópoles.

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Atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília (DF), o banqueiro passou de uma sala especial para uma cela comum, destinada a encarcerados de passagem pela penitenciária.

De acordo com fontes do Metrópoles, Vorcaro estava na mesma sala onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou preso por alguns meses e, agora, ele foi transferido para uma das piores celas do local — piores até mesmo das existentes na Papuda ou Papudinha —, onde não há sequer um banheiro em boas condições de uso.

O ex-dono do Master também teve restrições da visita de seus advogados. Ainda de acordo com fontes do Metrópoles, a defesa de Vorcaro só poderá visitá-lo duas vezes por dia até 30 minutos por vez, sem utilizar instrumentos de trabalho. Antes, a visita era liberada das 9 às 17h sem qualquer restrição.

Essas mudanças nas condições de prisão preventiva do empresário foram definidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso, André Mendonça, após adversidades envolvidas na sua delação premiada. O ministro teria autorizado que Vorcaro fosse submetido às “regras de funcionamento ordinárias” da Superintendência da PF em Brasília.

Os investigadores acusam o banqueiro de não contar tudo o que sabe sobre o caso Master, o que impediria os privilégios concedidos pela delação.

A delação de Vorcaro

ex-CEO do Banco Master segue preso e encaminhou no início do mês, à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), os anexos da delação premiada em que cita os nomes dos supostos envolvidos na fraude bilionária do grupo financeiro.

Como mostrou o Brasilianista anteriormente, os nomes citados pela delação ainda serão investigados, visto que a simples menção não garante sua participação no esquema criminoso. Vorcaro, além de apresentar nomes, precisará provar o crime cometido junto ao citado e como foi a participação do delatado na ilegalidade.

Até o momento, são 23 nomes cotados para este documento, entre políticos, ministros do STF e familiares e grandes nomes do sistema financeiro. Ciro Nogueira está entre os nomes cotados para aparecer.

Recentemente, a relação entre Vorcaro e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro veio à tona, que era fielmente negada antes do vazamento de mensagens e áudios que indicam uma relação entre os dois, o que pode ter influenciado a decisão de Mendonça.

Flávio Bolsonaro, o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmava antes das revelações que não possuía nenhum vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro ou o Master. No entanto, de acordo com mensagens, comprovantes bancários e áudios publicados pela Intercept Brasil, eles negociavam cerca de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época das transações, para ajudar nos custos do filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre o ex-mandatário.

Apesar de alegar que o projeto foi um financiamento privado — e o fato não necessariamente imputa crime à Flávio —, a investigação do caso Master pode ser ampliada.

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