O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que cancelou temporariamente o ataque ao Irã planejado para esta terça-feira (19), atendendo ao pedido de líderes dos países aliados do Golfo Pérsico.
De acordo com a publicação nas redes sociais, esses aliados — Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — pediram mais tempo para que Trump buscasse uma solução diplomática.
O republicano voltou a afirmar que o acordo entre EUA e Irã só deve ser firmado com a proibição de desenvolvimento nuclear para o país pérsico.
“Fui solicitado pelo Emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, pelo Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman Al Saud, e pelo Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, a adiar o nosso planejado ataque militar contra a República Islâmica do Irã, que estava agendado para amanhã. Isso porque negociações sérias estão em andamento e, na opinião deles, como grandes líderes e aliados, um acordo será firmado, o qual será muito aceitável para os Estados Unidos da América, bem como para todos os países do Oriente Médio e de outras regiões. Este acordo incluirá, e é importante ressaltar, a proibição de armas nucleares para o Irã! Com base no meu respeito pelos líderes mencionados acima, instruí o Secretário da Guerra, Pete Hegseth, o Chefe do Estado-Maior Conjunto, General Daniel Caine, e as Forças Armadas dos Estados Unidos, de que NÃO realizaremos o ataque ao Irã programado para amanhã, mas os instruí ainda a estarem preparados para prosseguir com um ataque em grande escala ao Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado. Agradeço a atenção dispensada a este assunto!”, escreveu Trump.
De acordo com a Bloomberg, o presidente americano vem ameaçando frequentemente uma nova ação militar contra o Irã, mesmo em meio ao cessar-fogo, mas não chega a concretizar os planos. Teerã não confirmou novas informações sobre uma nova rodada de negociações.
Para o país, a interrupção do desenvolvimento nuclear é inaceitável, além de outras condições impostas em outros textos avaliados pelas partes em negociação.
O que entra em jogo para Trump não é apenas a guerra, mas os preços de armamentos e combustíveis, enquanto mira na campanha eleitoral que deve renovar o Congresso americano.
Trump encurralado
O Irã ainda mantém o Estreito de Ormuz, o que resulta no aumento nos preços mundiais do petróleo. De forma geral, aproximadamente 20% do gás natural liquefeito e do próprio petróleo global passam pelo estreito.
Já os Estados Unidos seguem com o bloqueio aos portos iranianos, pressionando o Teerã a aceitar seus termos para o fim da guerra. No entanto, isso aumenta os preços de combustíveis para os consumidores americanos, que ficam cada vez mais incomodados com o governo Trump.
Em 2026, há eleições de meio mandato nos EUA, em que o Congresso será redefinido em boa parte, o que pode auxiliar o governo do republicano ou arrefecer algumas medidas.
Ao mesmo tempo, o Pentágono já avalia gastos milionários com a guerra contra o Irã, com armamentos e investimentos que podem não se sustentar por muito tempo, impactando a dívida pública.

