Desaparecido desde o dia 14 de abril, o desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi encontrado morto nesta terça-feira (19) nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro.
A Polícia Civil do estado indicou que o corpo foi localizado por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e pelo Corpo de Bombeiros, sem sinais de violência. As informações são da CNN.
A investigação para esclarecer o que ocorreu ainda está em andamento. Vale lembrar que o desembargador estava afastado do tribunal desde o ano passado após se tornar suspeito de cometer violência doméstica contra sua esposa.
Esse é mais um caso apurado relacionado a um funcionário do TRF-2, desde a denúncia da Procuradoria-Geral da União (PGR) contra o desembargador Macário Ramos Júdice Neto em março deste ano. Ele passou a ser alvo da PGR acusado de obstruir investigações sobre a proximidade de políticos do Rio de Janeiro com o Comando Vermelho (CV) utilizando sua influência do cargo.
A denúncia aponta Macário Neto como fornecedor de informações privilegiadas relacionadas ao Judiciário e de usar o cargo para obtê-las.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado estadual Thomas Magalhães (TH Joias), também são alvos da PGR.
Segundo a denúncia, TH Joias era operador financeiro de lideranças do CV, usando a venda de joias para lavar o dinheiro do tráfico e seu cargo na Alerj para obter informações privilegiadas sobre operações policiais e o andamento de processos no Judiciário.
A denúncia foi apresentada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), porque Macário tem prerrogativa de foro na Corte.
A investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Unha e Carne apontou indícios de que Bacellar avisou TH Joias sobre uma operação policial em setembro do ano passado. A PF cita ainda o fato de o ex-presidente da Alerj ter patrimônio incompatível com a renda declarada ao Fisco e à Justiça Eleitoral.
Inelegíveis
No âmbito das apurações sobre o uso de influência do cargo para auxiliar as atividades do crime organizado, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro; o ex-vice governador e conselheiro do Tribunal de Contas do RJ, Thiago Pampolha, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense Rodrigo Bacellar estão inelegíveis.
A decisão foi tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março, por 5 votos a 2.
O colegiado reconheceu que o trio abusou de seus poderes políticos e da força econômica da máquina fluminense nas eleições de 2022. Segundo os votos vencedores, houve ampliação do número de projetos sociais no período eleitoral e uso indevido de Requisição de Pagamento Autônomo (RPA), com saques em espécie, para comprar votos.
Na última semana, Cláudio Castro virou alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, acusado de ter criado durante sua gestão do estado condições favoráveis ao Grupo Refit na administração de débitos tributários bilionários.

