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Geopolítica

Como o Irã tem resistido à pressão de Trump?

Queda na aprovação, divisão entre republicanos e dificuldade diplomática fora do eixo América-Europa ampliaram pressão sobre o presidente

Como o Irã tem resistido à pressão de Trump?

A votação do Senado norte-americano que avançou uma resolução para limitar os poderes militares de Donald Trump no conflito contra o Irã abriu uma nova frente de desgaste político para o presidente dos Estados Unidos.

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Como divulgou O Brasilianista, o placar de 50 votos a 47, com apoio de quatro republicanos, aprofundou a percepção de que a guerra começou a produzir efeitos negativos para Trump não apenas na política externa, mas também dentro do próprio eleitorado conservador.

O episódio ganhou peso porque ocorreu em meio à queda da aprovação presidencial e ao aumento das críticas internas no Partido Republicano.

A crise passou a atingir diretamente a estratégia eleitoral da Casa Branca para as eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.

Mais do que a discussão militar, o debate em Washington passou a envolver a capacidade política do núcleo trumpista de lidar com conflitos complexos fora das áreas onde seus principais aliados acumularam experiência política ao longo dos últimos anos.

Casa Branca enfrentou resistência dentro do próprio partido

A resolução discutida no Senado pretende obrigar Trump a buscar autorização formal do Congresso para continuar as operações militares contra o Irã.

O texto avançou após meses de bloqueio republicano e marcou a oitava tentativa de parlamentares democratas de limitar os poderes de guerra do presidente desde o início da ofensiva militar no Oriente Médio.

O desconforto republicano aumentou depois que Trump ultrapassou o prazo legal de 60 dias para solicitar autorização formal ao Congresso.

O tema passou a provocar divisões internas justamente no momento em que parlamentares republicanos começam a preparar suas campanhas para as eleições legislativas.

O avanço da resolução não é tratado nos bastidores como uma derrota militar dos Estados Unidos, que seguem com a maior estrutura bélica do mundo, mas como um desgaste político crescente para Trump enquanto liderança eleitoral republicana.

Queda nas pesquisas elevou preocupação sobre eleições legislativas

A aprovação de Trump caiu para 35%, um dos níveis mais baixos desde o retorno do republicano à Casa Branca.

A pesquisa Reuters/Ipsos identificou perda de apoio inclusive entre eleitores republicanos, principalmente após o aumento do preço da gasolina provocado pela crise no Estreito de Ormuz.

Apenas 62% dos republicanos aprovam atualmente a condução da guerra contra o Irã, enquanto 28% desaprovam a atuação da Casa Branca.

O levantamento também mostrou crescimento do desgaste econômico, sobretudo relacionado ao custo de vida e aos combustíveis.

México entrou no radar político da Casa Branca

Em artigo publicado pelo Estadão, o jornalista Andrés Oppenheimer afirmou que uma continuidade da queda de Trump nas pesquisas poderia levar o presidente a ampliar tensões internacionais em outras regiões para recuperar apoio político interno. O texto cita o México como possível novo alvo de pressão da Casa Branca.

O artigo sustenta que um eventual confronto com o México poderia servir para mobilizar novamente a base trumpista ligada ao discurso ultranacionalista e ao endurecimento migratório.

A avaliação apareceu justamente após o aumento das dificuldades políticas da Casa Branca no conflito do Oriente Médio.

O Estadão também relacionou essa movimentação ao impacto eleitoral provocado pela guerra contra o Irã, especialmente diante da inflação energética e da pressão econômica enfrentada por parlamentares republicanos em seus estados.

O papel de Stephen Miller

Um dos principais estrategistas políticos de Trump construiu sua trajetória pública ligada principalmente a temas migratórios, segurança de fronteiras e fortalecimento da influência dos Estados Unidos no hemisfério ocidental.

Stephen Miller ganhou espaço dentro da Casa Branca coordenando políticas de deportação, operações ligadas à fronteira com o México e ações envolvendo Venezuela e Caribe. O assessor também passou a ter influência crescente em operações de segurança doméstica e imigração.

Parte das críticas internas dentro do próprio Partido Republicano começou a atingir Miller após a ampliação do papel internacional da Casa Branca em temas ligados ao Oriente Médio, região onde o assessor não acumulava histórico relevante de atuação política ou diplomática.

O papel de Marco Rubio

O secretário de Estado Marco Rubio consolidou sua carreira política com foco em América Latina, Cuba, China, imigração e relações hemisféricas.

Filho de imigrantes cubanos e senador pela Flórida, Rubio se tornou uma das principais vozes republicanas sobre política regional nas Américas.

Rubio ampliou espaço dentro do trumpismo justamente por atuar em pautas ligadas ao continente americano, incluindo sanções, migração, comércio e disputas diplomáticas envolvendo governos latino-americanos.

A combinação entre Stephen Miller e Marco Rubio no entorno de Trump passou a alimentar avaliações em Washington de que o núcleo político da Casa Branca possui maior familiaridade com temas ligados à imigração, América Latina e fronteiras do que com crises históricas do Oriente Médio e disputas geopolíticas asiáticas.

Senado ampliou pressão sobre estratégia internacional

Republicanos como Bill Cassidy, Lisa Murkowski, Susan Collins e Rand Paul romperam com a Casa Branca ao votar a favor do avanço da resolução que limita os poderes militares do presidente.

O senador democrata Tim Kaine afirmou que os republicanos devem enfrentar pressão popular durante o recesso legislativo, principalmente por causa da alta dos combustíveis e dos impactos econômicos da guerra.

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