Depois da promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia, o Congresso Nacional já se articula para avançar em mais um tratado comercial com países europeus. Agora, o foco está no Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a EFTA, bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein.
O senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, foi designado relator da mensagem enviada pelo governo federal ao Congresso. A expectativa é de que a matéria seja votada no próximo dia 9 na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, onde o parlamentar atua como vice-presidente.
A articulação política ocorre em ritmo acelerado. Segundo Nelsinho Trad, o objetivo é fazer com que, se houver aprovação na Representação, o texto siga ainda no mesmo dia para votação no plenário da Câmara dos Deputados. Na sequência, o tratado será analisado pelo Senado Federal.
“O sentimento é de que há uma tendência positiva para a aprovação e a ratificação”, afirmou o senador ao comentar o ambiente político em torno do acordo.
Integração comercial ganha força
Assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, o acordo Mercosul–EFTA foi encaminhado ao Congresso em abril deste ano, junto com a promulgação do tratado entre Mercosul e União Europeia e outros acordos comerciais apresentados pelo governo federal.
A movimentação reforça a estratégia do Mercosul de ampliar relações econômicas com mercados de alta renda e forte capacidade de investimento. Embora menor em dimensão econômica do que a União Europeia, a EFTA reúne economias altamente desenvolvidas e consideradas estratégicas para exportações brasileiras.
Nesta semana, Nelsinho Trad recebeu em Brasília o embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen, para discutir a tramitação do acordo e o fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e os países do bloco europeu.
Durante o encontro, o diplomata afirmou que a aprovação do tratado representará “um sinal para o mundo” de que o Brasil busca previsibilidade, cooperação econômica e diversificação das oportunidades comerciais.
Elsebutangen destacou ainda que cerca de 300 empresas norueguesas já atuam no mercado brasileiro em áreas como energia, agronegócio, fertilizantes, setor marítimo, inovação e tecnologia.
“Estamos muito ansiosos com a possibilidade de ratificar o acordo de livre comércio. De nossa parte, a expectativa é ratificar em 2 de junho”, afirmou o embaixador.
Propriedade intelectual deixa de ser obstáculo
Um dos temas mais sensíveis das negociações envolvia regras de propriedade intelectual. Segundo Nelsinho Trad, esse ponto já foi amplamente debatido em conversas anteriores com representantes diplomáticos europeus, especialmente da Suíça.
“Essa parte, esse mérito, a gente sempre discutiu com o embaixador Pietro Lazzeri. Ajudamos a tirar as dúvidas em relação à propriedade intelectual e conseguimos superar”, declarou o senador.
A avaliação dentro do Congresso é de que o acordo encontra hoje menos resistência política do que tratados anteriores, especialmente porque setores produtivos passaram a enxergar potencial de ampliação de investimentos e maior segurança jurídica.

