As pesquisas de intenção de voto publicadas até agora indicam que Flávio Bolsonaro tem dois tetos. No primeiro turno, o filho mais velho de Jair Bolsonaro pode alcançar até 36% das intenções de voto. Num eventual segundo round, chega a 43%. Nos dois cenários, o adversário é Lula.
As pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais oscilaram entre 29% e quase 36% quando o nome apresentado ao eleitor é o de Flávio. Com Lula, a variação foi de 39% a 42%. No segundo turno, as intenções de votos no senador variaram de 41% a 45% entre abril e junho, enquanto as do atual presidente registraram de 40% a 49%.
Os indecisos no primeiro turno, a depender da pesquisa e do mês em que ela foi feita, variam de 3% a 10%. No segundo round esse número oscila entre 9% e 14%.
Essa margem garante a competividade matemática de Flávio, porém, o perfil do senador frente ao eleitorado, considerado inexperiente e protetor dos ricos, mais a herança golpista e negacionista de seu pai, dificultam a vida do pré-candidato pelo PL.
Em 25 de maio, o Datafolha divulgou pesquisa sobre o perfil dos pré-candidatos à Presidência. O levantamento mostrou que 18% dos entrevistados considera Flávio um político experiente, que 23% vêem o candidato com a cara do povo brasileiro, que 19% acham que o senador defende as mulheres, que 28% o classificam como democrático e que 30% enxergam o senador como corrupto.
Quando esses mesmos critérios são aplicados a Lula, os percentuais são, respectivamente, 55%, 52%, 38%, 34% e 46%.
O teto dos votos a serem depositados em Flávio é um dado muito importante numa eleição que será definida pela rejeição. Os percentuais registrados pelo senador mostram que as denúncias sobre a relação dele com Daniel Vorcaro, para financiar o filme Dark Horse, que contará a história de Jair, impactaram mais os indecisos do que os eleitores do pré-candidato à Presidência.
Os pedidos de dinheiro feitos por Flávio a Vorcaro, dono do Banco Master, ajudam a minar a imagem de que a família Bolsonaro não se envolve em maracutaia, mesmo não havendo (até agora) a comprovação de que o senador tenha cometido algum crime junto ao banqueiro que esvaziou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Esse contexto, segundo a Quaest, fez Flávio perder votos no Sudeste, no Centro-Oeste e no Norte. Essa queda no apoio é outro sinal de alerta para a campanha de Flávio, que deve ser oficializado pelo PL como candidato à Presidência em julho. O senador precisa ter o máximo possível de votos nessas três regiões, mais o Sul do Brasil, porque o Nordeste ainda pertence a Lula.
Sem esses votos, nem mesmo o apoio de todos os outros candidatos da Direita serão suficientes para ajudá-lo a derrotar Lula, pois é impossível que todos os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), além dos restantes percentuais destinados aos candidatos não competitivos, votem no filho mais velho de Jair.

