Nesta segunda-feira (15), a Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (SFT) a rejeição da segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero.
A PF rejeitou a proposta do ex-banqueiro um dia após sua entrega, na última quinta-feira (11). Além disso, a instituição solicitou a transferência do investigado da Superintendência da corporação para o Complexo da Papuda. O pedido ainda deve ser analisado pela PGR, e a decisão cabe ao ministro relator do caso no STF, André Mendonça.
Segundo Paulo Gonet, procurador-Geral da República, a proposta não apresenta novos elementos além dos já investigados pela corporação. Foi esse motivo que levou a PF a também recusar a delação. Outro fator principal para a negativa da colaboração premiada é a devolução dos valores fraudados, pois a proposta demonstrou que o banqueiro não está comprometido em solucionar os crimes que cometeu.
O que foi apresentado na proposta
O documento apresentado pela defesa de Vorcaro apresentou novos fatos ao caso, como uma transferência de US$ 30 milhões ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo a delação, o pagamento ocorreu por meio de uma conta mantida fora do Brasil.
O nome de Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e de integrantes do PT da Bahia também foram citados na proposta de delação. Conforme apurou O Brasilianista, Rueda indicou Deivis Marcon Antunes à presidência do RioPrevidência, fundo previdenciário dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro (RJ). Durante a gestão, o fundo aportou cerca de R$ 970 milhões ao Master.
Já a relação do banqueiro com integrantes do PT da Bahia é referente a um mecanismo de oferta de crédito consignado a servidores públicos estaduais. Segundo apuração de O Brasilianista, um dos principais nomes citados é o de Rui Costa, ministro da Casa Civil, pois a operação teria ganhado força durante a sua gestão no governo da Bahia.
A situação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) também mudou da primeira delação para a segunda. Enquanto na primeira o ex-banqueiro atribuiu os pagamentos mensais e de viagens luxuosas ao parlamentar por relações de amizade, no segundo documento Vorcaro atribui as quantias como repasses destinados à defesa dos interesses do Master no Congresso.
Recusas da PF e da PGR
Esta é a segunda delação apresentada pela defesa de Vorcaro, e ambas foram rejeitadas tanto pela PF quanto pela PGR. De acordo com O Brasilianista, a primeira rejeição do documento ocorreu pelo mesmo motivo da atual, a falta de informações novas ao caso. A PF apontou que o banqueiro omitiu dados em sua proposta, dado o seu conhecimento sobre o esquema bilionário averiguado.
Além disso, segundo apurou O Brasilianista, o ex-dono do Banco Master acredita não ter cometido crime algum. Conforme aliados confirmaram, para Vorcaro, sua situação de encarceramento é devida a poder de rivais no mundo dos negócios. Além disso, o banqueiro acredita que suas contribuições a agentes políticos não podem ser traduzidos como propinas, mas como práticas comuns de empresários que querem se aproximar do poder.
Vorcaro pode retornar ao Complexo da Papuda
Atualmente, Vorcaro se encontra preso na sede da PF de Brasília, em uma cela da Superintendência da corporação. Preso pela primeira vez em outubro de 2025, o ex-banqueiro foi detido preventivamente por uma semana na Superintendência da PF em São Paulo e, após, foi transferido ao Complexo de Detenção Provisória de Guarulhos. Em 10 dias, o ex-dono do Master estaria cumprindo medidas cautelares e prisão domiciliar.
No entanto, em março de 2026, o ex-banqueiro foi preso novamente no Complexo Penitenciário de Potim (SP), onde ficou detido dois dias. A sua transferência, segundo apurou O Brasilianista, foi realizada para a Penitenciária Federal de Brasília. No dia 19 de março, o investigado foi transferido novamente, desta vez para a Superintendência da PF em Brasília. A cela utilizada é a mesma que o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido durante alguns meses.
Agora, com a rejeição da segunda delação, a PF solicitou ao relator do caso, André Mendonça, o retorno do investigado ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Relembre o esquema investigado na Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero investiga o esquema de fraude bancária bilionária organizada no Caso Master. O início da operação se deu com a recusa do Banco Central (BC) pela compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) por fluxos atípicos de recursos entre as instituições.
Já foram deflagradas oito fases da operação. Na primeira, conforme apurou O Brasilianista, o objetivo era combater a emissão de títulos de crédito falsos, onde foi descoberta fraude de R$ 12 bilhões do Master. A segunda fase apurou práticas de crimes de organização criminosa, enquanto a terceira fase averiguou a possível prática de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, crimes de ameaça e invasão de dispositivos.
Na deflagração da quarta fase da operação, a investigação seguiu para a lavagem de dinheiro e para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, e na quinta, também seguiu a apuração de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Na sexta fase, deflagrada em maio de 2026, teve ponto focal de investigação o esquema de suposto uso da máquina pública para obtenção ilegal de informações. Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi detido preventivamente nesta etapa. A sétima fase iniciou a averiguação sobre vazamentos de informações dentro da própria PF.
A operação está, agora, na oitava deflagração. Nela, a investigação averigua a transferência de quase R$ 3 bilhões de recursos estaduais a fundos do Banco Master, sendo o principal personagem da apuração o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Bancos liquidados durante as investigações
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente no dia da deflagração da Operação Compliance Zero, e não foi a única instituição a sofrer a medida do Bacen. De acordo com O Brasilianista, 11 instituições também foram liquidadas. Segundo estimativas, o rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) pode chegar a R$ 50 bilhões, podendo atrapalhar a cadeia econômica pelos próximos 5 anos.
Dentre as instituições liquidadas estão o Will S.A Crédito Financiamento e Investimento, Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários S.A e o Banco Letsbank S/A.

