A empresa Gerdau Aços Longos foi multada em R$ 50 milhões pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). A multa foi aplicada porque a Gerdau contaminou a na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A informação foi divulgada pelo BNews.
Os R$ 50 milhões correspondem ao valor máximo previsto na legislação ambiental estadual para esse tipo de infração. Segundo o Inema, a Gerdau poluiu diferentes áreas ambientais da região, incluindo águas intersticiais, águas subterrâneas, sedimentos, água do mar e biota marinha.
A decisão administrativa foi formalizada após análises técnicas que identificaram a presença de compostos químicos na área afetada. O caso ainda está sujeito a recurso.
Mancha na praia e início da investigação
As primeiras alterações na região foram registradas em fevereiro de 2026, quando surgiram manchas de coloração amarela e azul na faixa de areia e na água da praia
A situação levou ao fechamento parcial da área para banho e afetou diretamente trabalhadores locais, como pescadores, marisqueiras e comerciantes da região.
Desde então, órgãos ambientais passaram a investigar as causas da contaminação, com coleta de amostras e análise laboratorial.
Laudos apontam presença de cobre e outros compostos. De acordo com os estudos técnicos citados na investigação, foram identificadas concentrações elevadas de cobre em águas intersticiais e sedimentos da região.
Também foram encontrados compostos nitrogenados, como nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal, além de outros elementos químicos em amostras da fauna marinha local.
Os resultados reforçam a hipótese de contaminação ambiental associada a atividades industriais na área do terminal.
A investigação também considera a possibilidade de contaminação pretérita, já que operações envolvendo cobre teriam ocorrido até o início de 2022 sob responsabilidade da empresa.
Veja a contaminação
Praia segue interditada e caso pode avançar na Justiça
A praia de São Tomé de Paripe permanece parcialmente interditada desde o início das ocorrências, com restrições para banho e atividades pesqueiras em determinadas áreas.
A Prefeitura de Salvador chegou a decretar situação de emergência ambiental na região em razão dos impactos registrados.
A Gerdau ainda não se manifestou sobre a multa de R$ 50 MILHÕES.
O caso segue em análise pelos órgãos ambientais e pode evoluir para desdobramentos judiciais e administrativos, caso haja contestação da decisão.
Histórico da área e desdobramentos
A área onde ocorreu a contaminação em São Tomé de Paripe já vinha sendo monitorada por órgãos ambientais devido à presença de atividades industriais de grande porte ao longo dos últimos anos. Relatórios técnicos indicam que o local possui histórico de intervenções relacionadas à cadeia siderúrgica, o que levou à necessidade de avaliações contínuas sobre possíveis impactos cumulativos no solo e na água. A investigação atual também considera registros anteriores de operação industrial na região, além de eventuais mudanças na qualidade ambiental ao longo do tempo, o que pode influenciar a análise sobre a origem e a extensão da contaminação identificada pelo Inema.
Atividade industrial e impacto ambiental na região
Em apuração publicada anteriormente pelo O Brasilianista, a contaminação registrada na praia de São Tomé de Paripe é analisada sob a perspectiva de possíveis impactos associados a atividades industriais na região, incluindo estruturas ligadas ao complexo siderúrgico instalado no entorno. A matéria destaca que técnicos e fontes ouvidas consideram a necessidade de aprofundar a investigação sobre a origem dos compostos identificados, levando em conta a histórica presença de operações industriais no local e eventuais correlações com áreas sob influência de empreendimentos do setor.

