Na última quarta-feira (24), a rede de supermercados St Marche entrou com pedido de recuperação judicial. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou a sua venda para o grupo chileno Cencosud, controlador da Giga Atacado.
Desde 2025, a companhia tenta renegociar sua dívida de aproximadamente R$ 574,3 milhões com seus credores. Sem sucesso com a recuperação extrajudicial, que foi suspensa em fevereiro, a rede controlada pelo Grupo Hortus entrou com o pedido de recuperação judicial como uma tentativa de sanar os seus problemas financeiros.
Sediada em São Paulo e fundada em 2002, a St Marche possui 32 lojas no estado, que serão acrescentadas à varejista chilena. O processo de aquisição foi realizado de maneira livre de dívidas e de caixa, ou seja, o grupo Cencosud não assumirá os débitos deixados pelo Hortus.
O processo de compra ainda precisa da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da autorização pela Justiça do plano de recuperação judicial do grupo.
Quais são as consequências da recuperação judicial?
Em conversa com O Brasilianista, o professor do departamento de direito comercial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Dr. Daniel Carnio Costa afirma que a recuperação judicial é o último passo no processo de renegociação de débitos. Desta maneira, ou a empresa se recupera da instabilidade financeira, ou ela vira insolvente.
Segundo o especialista, a medida é invasiva, dando 360 dias para a companhia apresentar um plano de pagamento aos credores, de modo que a maioria aprove. Além disso, é necessária a nomeação de um administrador para fiscalizar o processo internamente, além da possibilidade de venda de ativos.
Juros altos pressionam empresas
O cenário de alta de juros no Brasil impacta diretamente empresas de diferentes portes e setores. Deste modo, de acordo com apuração de O Brasilianista, o efeito é maior sobre companhias que mais dependem de refinanciamentos ou créditos bancários para se manter em operação.
Além disso, instituições financeiras enrijeceram suas normas após algumas crises em empresas varejistas, o que reduziu significativamente a concessão de novos créditos. Sendo assim, este cenário tornou a recuperação judicial como uma alternativa para empresas que possuem outras opções, mas se encontram pressionadas financeiramente. Deste modo, a operação se torna mais do que apenas a última opção para a insolvência.
Pedidos de recuperação extrajudicial batem recorde em 2025
De acordo com dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE), 68 empresas entraram com pedidos de recuperação extrajudicial em 2025. No ano anterior, em 2024, as solicitações chegaram a 62, segundo apurou O Brasilianista.
No entanto, apesar do número maior de pedidos, a quantia renegociada diminuiu entre os anos. Isso, pois em 2024 foi registrado R$ 39,7 bilhões, contra R$ 15,6 bilhões do ano passado, uma queda expressiva.

