A partir de agosto de 2026, após o recesso de julho, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) será presidida pelo ministro Luiz Fux. O magistrado assumirá o posto atualmente ocupado por Gilmar Mendes, que deixa a cadeira da presidência da turma.
A Turma — formada pelos ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli — é a responsável por julgar as decisões tomadas por Mendonça no Caso Master.
Leia abaixo quem são os ministros que decidirão o futuro da Operação Compliance Zero:
Luiz Fux
Formado em Direito em 1982, Fux ingressou no magistério no Rio de Janeiro. Em 2001, foi nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para, em 2011, ser indicado ao STF pela então presidente da República, Dilma Rousseff.
Segundo apurou O Brasilianista, Fux solicitou a liberação para integrar a Segunda Turma do STF ao ministro Edson Fachin. A vaga ocupada por Fux foi aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. O pedido foi realizado em outubro de 2025 e aceito no mesmo mês.
Gilmar Mendes
Gilmar Mendes iniciou sua carreira política como procurador da República em 1985. Conforme apurou O Brasilianista, o magistrado atuou em uma série de cargos, como no Ministério Público, Ministério da Justiça e na Advocacia-Geral da União (AGU) até que, em 2002, foi indicado ao STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Atualmente, Mendes é o decano da Corte, ou seja, o ministro mais antigo em tempo de serviço, posição que reforça sua influência no Supremo.
O ministro suspendeu a quebra de sigilo de empresa ligada a Dias Toffoli em fevereiro deste ano, após solicitação da CPI do Crime Organizado. Segundo O Brasilianista, os parlamentares alegaram que a quebra era necessária para a compra de um resort da empresa por um fundo ligado a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
No entanto, o magistrado entendeu, segundo seu parecer, que a quebra do sigilo era uma “nítida tentativa de instrumentalizar os poderes investigatórios da CPI como verdadeiro atalho para, sem justa causa, avançar sobre direitos e garantias fundamentais, especialmente o sigilo de dados”.
André Mendonça
Atual relator do Caso Master, André Mendonça ingressou na Segunda Turma do STF em 2021, empossado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua trajetória política se iniciou em 2000, quando se tornou procurador da União na AGU. Assim, de acordo com O Brasilianista, o magistrado se tornou Advogado-Geral da União em 2019 e se manteve no cargo até 2020, quando se tornou Ministro da Justiça e Segurança Pública.
Conforme O Brasilianista, o relator já teve declarações fortes sobre o caso. Isso, pois, informou que advogados de uma das defesas do Caso Master apresentaram-lhe uma proposta de “delação seletiva”, que previa evitar o desgaste na Corte, evitando menções aos ministros do Supremo.
Dias Toffoli
Formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), Toffoli atuou no Executivo como subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil e Advogado-Geral da União (AGU) entre 2006 e 2009, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro presidiu, também, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) antes de ser indicado ao STF em 2009.
O magistrado foi pressionado para deixar a relatoria do Caso Master. Isso ocorreu por suposta proximidade entre o ministro e pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao Master.
O caso se iniciou, pois a empresa Maridt, ligada à família do ministro, realizou negócios com fundos e companhias que possuíam relação com o Banco Master, como a participação societária no resort Tayayá.
Além disso, conforme apuração de O Brasilianista, a Polícia Federal (PF) solicitou a remoção do ministro da relatoria do caso para o presidente da Corte, Edson Fachin. O pedido foi efetuado após a corporação encontrar mensagens no celular de Vorcaro fazendo menção ao magistrado.
Kassio Nunes Marques
O magistrado ingressou no STF em 2020, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O Brasilianista já mostrou que sua nomeação teve influência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado no Caso Master.
Antes do STF, Nunes Marques atuou no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
Assim, a proximidade entre o ministro e o parlamentar, investigado no Caso Master, fez com que os autores da ação pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) solicitassem a redistribuição do processo no STF. Além disso, o magistrado foi relacionado ao Master, ao voar em avião pago por advogada ligada ao ex-banqueiro.

