A saída de Manuel Adorni permitiu a Javier Milei recarregar as baterias do poder governamental.
Não apenas porque se desvinculou de um peso que havia freado o impulso das aprovações no Congresso das tão necessárias reformas exigidas por sua administração, mas também porque começava a colocar em risco a governabilidade devido a uma eventual moção de censura contra o Chefe de Gabinete dos Ministros.
Também lhe permitiu se desvincular da madrinha de Adorni, Karina, a irmãzíssima, e, ao mesmo tempo, reivindicar o assessoríssimo Santiago Caputo, que conseguiu emplacar um porta-voz e um Secretário de Meios de Comunicação alinhados, além de um substituto aceitável para Adorni.
Diego Santilli tem habilidade política suficiente para reconstruir o tecido de poder com os governadores, pelo menos tanto quanto o Presidente desejou.
Os mercados saudaram sua chegada e a presença maciça de governadores em sua cerimônia de posse ministerial.
Da mesma forma, as palavras de Santilli sobre retomar a ação transformadora do governo ofereceram um horizonte mais amplo para a administração Milei.
No entanto, no curto prazo, a Argentina entra em um período de hibernação que combina a fase de classificação para a Copa do Mundo, que reterá em grande medida a atenção do público, e as férias escolares de inverno.
Veremos se depois ainda haverá tempo para que efetivamente se possa retomar a ação reformadora proclamada por Santilli ou se o país entrará diretamente em um período pré-eleitoral antecipado.

