O Departamento de Defesa dos Estados Unidos pressiona cada vez mais os governos da América Latina a aumentar os gastos com segurança para combater o crime organizado.
Durante uma conferência bienal de ministros da Defesa das Américas realizada no Peru nesta semana, uma delegação dos EUA pediu para que os países aumentem os orçamentos de defesa para aproximadamente 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), alegando que os governos da região destinam entre 1,2% e 1,3% do PIB para esse setor.
A delegação também justificou o pedido ao afirmar que o país é diretamente afetado pela escolha de segurança e defesa dos países latino-americanos. O aumento no valor de investimento nesse setor seria prudente, na visão dos americanos, visto a necessidade de enfrentamento de gangues e cartéis, bem como o narcotráfico.
O cenário geopolítico está cada vez mais tenso, com guerras e ameaças de tomadas de território acontecendo ao redor do mundo. Mais próximo ao Brasil, a América Latina conta com questões na Venezuela, que foi invadida pelos Estados Unidos, além de um confronto com a Colômbia por espaço de exploração.
Brasil fará mais de R$ 100 bilhões de investimento em defesa em 2026
O Brasil é um dos países na mira das intervenções dos EUA, que já definiu o Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e pode sofrer com impasses diplomáticos devido a essas classificações.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 determina pouco mais de R$ 103 bilhões em investimentos em defesa nacional neste ano. Comparado ao PIB de 2025, de R$ 1,27 trilhões, esse montante representa menos de 1% do PIB.
Ainda assim, conforme mostrou O Brasilianista, as Forças Aéreas Brasileiras (FAB) serão as mais beneficiadas, garantindo um repasse de R$ 6,8 bilhões para manter as operações — a compra de equipamentos também é maior nesse setor. O Exército e a defesa terrestre ficará com R$ 3 bilhões para aplicar em 2026, enquanto a Marinha receberá R$ 1,8 bilhões no total. Para 2027, a projeção é de que os investimentos subam ainda mais para esse setor.
O governo ainda deixa valores separados para o desenvolvimento científico, tecnológico e de engenharia, que permite às Forças Armadas brasileiras capacidade de estudo de novos modelos de segurança nacional, bem como equipamentos.
A previsão é de que o Brasil aumente em quase 14% os investimentos na segurança do país nos próximos três anos, chegando a aproximadamente financiamento de R$ 120 bilhões no setor. Confira:
Função/Subfunção PLOA 2026 (R$) Previsão 2027 (R$) Previsão 2028 (R$) Previsão 2029 (R$) Defesa Nacional 103.535.320.667 107.473.413.584 112.612.063.075 117.453.699.986 Defesa Aérea 6.836.793.240 7.004.246.473 7.166.034.528 7.288.772.918 Defesa Naval 1.809.259.522 1.773.348.498 1.885.236.798 1.645.054.340 Defesa Terrestre 3.010.691.308 3.010.357.942 3.010.357.942 3.010.357.942 Desenvolvimento Científico 130.782.560 184.675.124 84.575.366 84.575.366 Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia 1.137.529.265 1.131.187.577 1.119.372.035 1.359.581.493Fonte: PLOA 2026
Já em relação aos armamentos, o Ministério da Defesa precisa encontrar recursos para financiar os R$ 158.133.718.526 em gastos do tipo para Aeronáutica, Exército e Marinha neste ano.
As projeções indicam um investimento crescente na composição de arsenal para as Forças Armadas do Brasil nos próximos três anos, de R$ 6,7 bilhões em 2027, para R$ 7,8 bilhões em 2028 e R$ 8,1 bilhões para 2029.

