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Geopolítica

EUA podem confirmar tarifa de 25% contra o Brasil; entenda os impactos

Negociações buscam ampliar a relação de mercadorias isentas e reduzir os efeitos sobre o comércio bilateral

EUA podem confirmar tarifa de 25% contra o Brasil; entenda os impactos

Às vésperas da decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa de 25% aos produtos brasileiros, representantes do governo e do setor produtivo trabalham com a possibilidade de cobrança integral da alíquota a partir desta quarta-feira (15), acompanhada pela ampliação da lista de exceções.

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As negociações buscam aumentar o número de mercadorias isentas, reduzir a taxa ou conseguir a reversão da medida proposta pelo governo americano.

A cobrança está relacionada a uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O instrumento permite ao governo americano investigar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, após o processo administrativo, adotar sanções contra outras economias.

Entre os pontos apresentados pelas autoridades americanas estão questionamentos sobre práticas comerciais, propriedade intelectual, serviços de pagamento eletrônico, combate à corrupção, acesso ao mercado brasileiro de etanol e políticas ambientais.

A investigação também colocou o Pix entre os temas de divergência nas relações entre os dois países.

Política tarifária passou por mudanças desde 2025

O Brasilianista detalhou as mudanças nas cobranças impostas aos produtos brasileiros desde 2025. Em abril daquele ano, o governo americano anunciou uma tarifa de 10%, enquanto as taxas sobre aço e alumínio foram elevadas para 50% dois meses depois.

Uma cobrança adicional de 40% foi aplicada em julho de 2025, levando a alíquota de parte dos produtos brasileiros a 50%, embora uma relação de mercadorias tenha permanecido fora da medida.

A taxa adicional foi retirada em novembro, após negociações entre representantes dos governos brasileiro e americano.

Em fevereiro de 2026, a política comercial voltou a ser modificada depois de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos. Naquele momento, Trump anunciou uma tarifa global de 15% sobre parceiros comerciais, enquanto diferentes países passaram a enfrentar alterações nas condições de acesso ao mercado americano.

Negociações envolveram Flávio Bolsonaro e Marco Rubio

O Brasilianista informou que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou uma carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para solicitar a suspensão da tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras.

O documento apresentado pelo senador tinha 86 páginas e defendia a suspensão da medida e a adoção de mecanismos de negociação direta entre os dois países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, criticou a iniciativa e afirmou que não havia justificativa para a aplicação das novas tarifas.

Os setores que poderiam enfrentar maior impacto em caso de implementação da cobrança. Exportadores dependentes do mercado americano, entre eles produtores da indústria de base, de maquinário agrícola e de alimentos processados, estão entre os segmentos mais expostos às mudanças comerciais.

Divergências comerciais incluem Pix e mercado de etanol

O Brasilianista apresentou os argumentos do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para negar o pedido feito por Flávio Bolsonaro contra a aplicação das tarifas.

“O embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nessa investigação. Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais consideradas injustas, à aplicação das leis anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal”, afirmou Rubio.

O Pix passou a integrar as discussões comerciais entre os dois países. As autoridades americanas questionaram aspectos do sistema brasileiro de pagamentos eletrônicos, enquanto as divergências passaram a envolver ainda temas relacionados à propriedade intelectual e às condições de acesso ao mercado nacional.

Café, carnes e minerais estão entre as exceções

O Brasilianista detalhou quais produtos brasileiros foram preservados das novas propostas tarifárias apresentadas pelos Estados Unidos.

A lista inclui café, algumas categorias de carne bovina, frutas, cereais, fertilizantes, medicamentos, produtos químicos, minerais estratégicos, terras raras e componentes ligados à indústria aeronáutica.

Além da tarifa de 25% baseada na Seção 301, autoridades americanas propuseram uma cobrança adicional de 12,5% em uma investigação relacionada ao combate ao trabalho forçado. As duas medidas ainda dependiam da conclusão de processos administrativos e de etapas de consulta pública.

Ao explicar os possíveis efeitos das exceções, o professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador associado do Centro de Estudos das Negociações Internacionais da Universidade de São Paulo (Caeni-USP), Vinícius Guilherme Rodrigues Vieira, afirmou:

“O consumidor americano é relativamente protegido, porque eles já desenham exceções, tendo em vista até o que aconteceu no tarifaço”.

Empresas esperam ampliação da lista de isenções

Representantes do setor produtivo consideram que a aplicação integral da tarifa de 25% ainda é a possibilidade mais provável para a decisão desta quarta-feira.

As negociações, porém, continuam concentradas na tentativa de aumentar o número de produtos preservados da cobrança.

O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, afirmou que uma eventual soma da tarifa de 25% com outra cobrança de 12,5% poderia levar a alíquota a 37,5%.

Segundo ele, nesse caso, o Brasil enfrentaria um dos tratamentos mais restritivos entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos.

A diretora da LCA Consultoria Econômica, Verônica Cardoso, avaliou que a decisão americana ainda pode trazer algum alívio por meio de novas exceções ou da redução da alíquota.

Segundo os cálculos apresentados pela consultoria, cerca de 54% da pauta exportadora brasileira já estaria isenta, 25% permaneceria submetida às regras da Seção 232 e aproximadamente 21% estaria mais diretamente exposta ao novo pacote.

Impacto anterior foi considerado pontual pelo IBGE

O Brasilianista mostrou que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avaliou como restritos e temporários os efeitos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre a economia brasileira em 2025.

“Em relação ao tarifaço, a gente realmente viu que foram coisas muito pontuais. Os exportadores procuraram outros mercados. O Brasil já estava conseguindo exportar mais para outros países. Os Estados Unidos já não estão pesando tanto como destino das exportações brasileiras”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

As exportações brasileiras cresceram 6,2% em 2025 e alcançaram US$ 348,7 bilhões. Antes da retirada de parte das sobretaxas, 22% das vendas brasileiras aos Estados Unidos estavam sujeitas a cobranças adicionais de 40% ou 50%.

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