No último ano, debates políticos nas redes sociais sobre o fim da escala 6×1 ganharam força no país, sob a justificativa de que a rotina era excessiva e desgastante para os trabalhadores.
Segundo pesquisa de 2025 realizada pela Atlas sobre a escala 6×1, 75% dos entrevistados relataram passar mais de uma hora e meia de deslocamento até o trabalho, além de apontarem impactos negativos na vida pessoal.
Além da demora para chegar ao trabalho, os salários baixos também impactam os trabalhadores dessa jornada. A pesquisa constatou que 46% dos empregados com jornada de trabalho de 44 horas recebem entre R$1.412 e R$2.120, enquanto 22% recebem até um salário-mínimo.
Como funciona a escala 6×1?
Presente principalmente nos setores de comércio, indústria, transporte e serviços, a escala 6×1 estabelece que os funcionários trabalhem seis dias por semana, com direito a apenas um dia de folga. De acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a empresa precisa garantir que a folga caia em um domingo pelo menos uma vez por mês.
A legislação também estabelece limites para a jornada de trabalho, que não pode ultrapassar 44 horas semanais e 8 horas diárias. Caso o trabalhador faça horas extras, a empresa deve pagar um acréscimo de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal ou compensar o período pelo banco de horas, segundo informações do Serasa.
Os trabalhadores ainda têm direito a um intervalo mínimo, normalmente utilizado como horário de almoço ou jantar, de 1 hora a cada a cada 6 horas trabalhadas. Além disso, é garantido o intervalo intrajornada, de pelo menos 11h, que corresponde ao período de descanso entre o término de um dia de trabalho e o início do próximo.
Nova proposta
Em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou Proposta de Emenda à Constituição 148/2025, que reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais. O texto prevê ainda limite de cinco dias por semana de trabalho, com dois dias de descanso, de preferência no sábado e domingo.
Apesar dos receios quanto a possibilidade de diminuição dos salários, o texto estabelece que as mudanças impeça empresas de reduzir a remuneração de trabalhadores, de acordo com o G1. Para virar realidade, a proposta aguarda ainda aprovação no plenário do Senado, trâmite na Câmara dos Deputados e veto ou sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

