O início do ano no Superior Tribunal de Justiça foi marcado por uma denúncia séria envolvendo um de seus integrantes. O ministro Marco Aurélio Buzzi passou a ser alvo de uma acusação de abuso sexual feita por uma jovem de 19 anos, o que levou o caso a ser levado ao Conselho Nacional de Justiça, órgão responsável por analisar a conduta de magistrados.
A informação provocou forte reação interna. Ministros da Corte pressionaram a presidência do tribunal a adotar providências imediatas, diante da gravidade do relato e do impacto institucional que o episódio pode causar. Entre os que defendem uma resposta rápida estão integrantes do tribunal reconhecidos por atuação em pautas de proteção às mulheres.
Segundo o BNews, a denúncia descreve uma relação de proximidade entre o magistrado e a família da jovem. Ela teria crescido convivendo com o ministro, a quem se referia de forma afetiva, chamando-o de “tio”, o que aumentou a repercussão do caso dentro e fora do Judiciário.
Pressão interna e apuração em curso
O relato já foi formalizado no Conselho Nacional de Justiça. A mãe da jovem prestou depoimento no gabinete do corregedor nacional, ministro Mauro Campbell, e agora cabe ao órgão avaliar a abertura de um procedimento administrativo. Dependendo do desfecho, a apuração pode resultar em punições severas, incluindo aposentadoria compulsória.
Informações que circulam nos bastidores indicam que a acusação aponta para um suposto aproveitamento da relação de confiança com a família. “Abusou de quem confiava nele. Não pegou uma estranha na rua, o que já seria um crime, mas violou alguém que o via como família”, afirmou uma fonte. O episódio teria ocorrido em uma praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, durante um banho de mar, quando a jovem teria resistido à abordagem.
Contraste com atuação pública
O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis quando comparado ao histórico profissional do ministro. Em 2024, ele foi relator de um julgamento que condenou um veículo de comunicação por violar a dignidade de uma vítima de estupro de vulnerável. Na ocasião, o voto destacou a importância do respeito às mulheres e da responsabilização por violência sexual.
Marco Aurélio Buzzi integra o STJ desde 2011. Antes disso, atuou como desembargador no Tribunal de Justiça de Santa Catarina e teve passagem pelo jornalismo antes de ingressar na magistratura.
Em nota enviada ao Bnews, o ministro declarou que foi “surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.

